Câncer de mama aos 35 anos: Pamela Barbosa relata diagnóstico, mastectomia e tratamento
Jornalista e assessora de imprensa descobriu a doença após perceber um nódulo na mama. Em entrevista à HealthRadarBR, ela conta como enfrentou o tratamento, preservou a fertilidade e decidiu compartilhar sua história.
A jornalista e assessora de imprensa Pamela Barbosa tinha 35 anos quando percebeu que um nódulo na mama esquerda estava diferente. Mais rígido e aparentemente maior, ele chamou sua atenção mesmo depois de anos de acompanhamento médico. O histórico familiar fazia parte dessa rotina: sua mãe havia enfrentado um câncer de mama em 2004.
Em outubro de 2023, Pamela começou a investigar a alteração. Procurou diferentes opiniões médicas e passou por novos exames até receber a indicação de uma biópsia. O resultado chegou em 27 de dezembro daquele ano, entre as comemorações de Natal e Ano-Novo. Era um carcinoma.
“Eu abri e vi o positivo. Carcinoma. Quando eu li aquilo era era dia 27 de dezembro. Eu desabei a chorar, obviamente.”
A notícia interrompeu, por alguns dias, os planos de Pamela para o Réveillon. Ela conta que chorou ao lado da mãe, que já conhecia os desafios de um tratamento oncológico. Depois do impacto inicial, decidiu manter a viagem que havia programado e aproveitar aquele momento antes de iniciar uma nova etapa da vida.
Em entrevista à HealthRadarBR, Pamela relembra o diagnóstico, as decisões que precisou tomar e a maneira como escolheu enfrentar a doença sem abandonar completamente sua rotina profissional e pessoal.
Da descoberta do nódulo à mastectomia
Após o diagnóstico, Pamela buscou uma equipe especializada para definir o tratamento. A avaliação médica indicou a necessidade de uma mastectomia da mama esquerda, seguida de quimioterapia e radioterapia.
A cirurgia foi realizada em 2024. Durante o procedimento, também foi necessária a retirada de linfonodos comprometidos. Desde então, ela mantém cuidados específicos com o braço esquerdo em razão do risco de linfedema.
Pamela optou por preservar a mama direita e, posteriormente, passou pela reconstrução mamária. Em 2025, realizou a colocação da prótese definitiva.
Ao longo do tratamento, procurou continuar trabalhando e manter contato com as pessoas mais próximas. Inicialmente, preferiu contar sobre o diagnóstico apenas a familiares, amigos e alguns clientes.
“É daí que eu tirava forças, da minha rotina, dos amigos que estavam ao meu lado.”
A jornalista relata que passou pelos ciclos de quimioterapia sem apresentar muitos dos efeitos colaterais que temia. A queda de cabelo, entretanto, foi um dos momentos mais difíceis.
A queda de cabelo e a decisão de usar peruca
Para Pamela, o impacto emocional da perda dos fios começou antes mesmo de raspar a cabeça. Ver o cabelo cair durante o banho tornou a experiência da doença mais concreta.
“Mas eu acho que o dia mais difícil é quando você vê os fios caindo.”
Durante o tratamento, ela optou por usar peruca. A escolha estava relacionada à maneira como desejava preservar sua imagem e sua privacidade naquele momento. Pamela faz questão de reconhecer que cada mulher lida de forma diferente com as mudanças físicas provocadas pelo tratamento.
A decisão de manter o diagnóstico reservado também tinha relação com o receio de ser tratada como alguém incapaz de continuar trabalhando e realizando suas atividades habituais.
“Então, é ruim às vezes as pessoas te limitarem em função de uma doença.”
Com o tempo, sua relação com a própria imagem mudou. Ela conta que passou a se sentir confortável também sem a peruca, enquanto aguardava o crescimento dos fios.
O câncer de mama e a preservação da fertilidade
Outra decisão importante aconteceu antes do início do tratamento. Durante uma consulta, o oncologista perguntou a Pamela se ela desejava ter filhos.
Embora ainda não tivesse planos definidos para a maternidade, ela decidiu congelar os óvulos antes de começar as etapas do tratamento que poderiam comprometer sua fertilidade.
A possibilidade de preservar uma escolha futura foi especialmente significativa. Pamela destaca a sensibilidade do médico ao abordar o assunto em um momento em que sua atenção estava voltada principalmente ao diagnóstico e à cirurgia.
O relato chama atenção para uma questão que nem sempre recebe espaço nas conversas sobre câncer de mama: o impacto potencial do tratamento oncológico sobre a fertilidade de mulheres em idade reprodutiva e a importância de discutir as opções disponíveis antes de iniciar determinadas terapias.
Quando a história deixou de ser um segredo
Pamela concluiu a radioterapia em outubro de 2024 e segue em acompanhamento oncológico, com tratamento medicamentoso e exames periódicos. Segundo seu relato, os resultados dos exames de controle têm sido satisfatórios.
No início de 2025, durante uma viagem à Europa, sentiu que havia chegado o momento de tornar pública sua experiência. Depois de visitar Fátima, em Portugal, e passar por Paris, decidiu publicar fotografias sem a peruca, acompanhadas de uma carta aberta.
Até então, muitas pessoas de seu convívio não sabiam que ela havia enfrentado um câncer de mama.
A publicação recebeu mensagens de carinho e apoio. Mais do que revelar o diagnóstico, Pamela queria mostrar que a doença não precisava definir sua identidade nem determinar todos os aspectos de sua vida.
Hoje, ela também recebe mensagens de outras mulheres que enfrentam situações semelhantes e procuram apoio para lidar com o diagnóstico.
“Eu quero servir de inspiração nesse assunto, porque é uma temática muito importante.”
Para a jornalista, compartilhar sua experiência é uma maneira de contribuir para que outras mulheres se sintam acolhidas. Seu relato não pretende estabelecer uma forma ideal de enfrentar o câncer, mas mostrar que cada paciente pode encontrar seus próprios caminhos durante o tratamento.
A experiência de Pamela também reforça a importância de investigar alterações nas mamas, manter o acompanhamento médico individualizado e buscar orientação especializada diante de sinais suspeitos. O autoexame pode ajudar a mulher a conhecer o próprio corpo, mas não substitui os exames de rastreamento recomendados conforme a idade e os fatores de risco.
Assista à entrevista completa
Na conversa com a HealthRadarBR, Pamela Barbosa fala sobre o impacto do diagnóstico, o apoio da família, os desafios do tratamento, a reconstrução mamária, a preservação da fertilidade e a decisão de compartilhar publicamente sua história.
Comentários ()