Só é chocolate se tiver pelo menos 35% de cacau: saiba como escolher um produto de melhor qualidade
Lei federal estabelece a composição mínima para que um produto seja considerado chocolate no Brasil. Nutricionista explica como identificar opções com mais cacau e menos açúcar na hora da compra.
No Dia Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho, uma informação pode ajudar o consumidor a fazer escolhas mais conscientes na hora da compra: no Brasil, um produto só pode ser chamado de chocolate se tiver pelo menos 35% de cacau em sua composição, conforme determina a legislação federal.
Mas, na prática, como identificar um chocolate de melhor qualidade?
Segundo a nutricionista especialista em nutrição de precisão Nicolle Albanezi, o primeiro passo é observar o percentual de cacau e a lista de ingredientes presentes na embalagem.
"O problema geralmente não é o chocolate em si, mas o tipo, a quantidade, a frequência e o contexto da alimentação", explica.
O que observar na embalagem?
De acordo com a nutricionista, chocolates com maior teor de cacau costumam apresentar melhor perfil nutricional.
Entre as características de um chocolate de melhor qualidade estão:
- maior percentual de cacau, como 60%, 70%, 80% ou mais;
- lista de ingredientes mais curta;
- massa de cacau como um dos primeiros ingredientes;
- menor quantidade de açúcar;
- manteiga de cacau, em vez de gorduras vegetais utilizadas como substitutas.
Além disso, o sabor mais intenso tende a favorecer o consumo de porções menores.
"Esse tipo pode entrar na alimentação como um prazer planejado, especialmente em pequenas porções, como 10 a 20 gramas ao dia ou algumas vezes na semana, dependendo dos objetivos, dos exames e das características de cada pessoa", afirma Nicolle.
Nem tudo o que parece chocolate oferece os mesmos benefícios
Já os produtos com baixo teor de cacau costumam apresentar açúcar como primeiro ingrediente da lista, além de gorduras vegetais, recheios, coberturas e outros ingredientes típicos de alimentos ultraprocessados.
Segundo a especialista, esses produtos não precisam ser proibidos, mas devem ser entendidos como doces ultraprocessados, e não como fontes dos compostos benéficos encontrados naturalmente no cacau.
"Quanto mais cacau e menos açúcar, melhor tende a ser a qualidade nutricional. Mas isso não significa comer à vontade. O chocolate continua sendo um alimento calórico e, dependendo do tipo, pode conter grandes quantidades de açúcar e gordura saturada", alerta.
Chocolate branco é chocolate?
Sim, mas sua composição é diferente.
O chocolate branco é produzido com manteiga de cacau, leite e açúcar, mas não contém massa de cacau. Por isso, não oferece a mesma quantidade de compostos bioativos presentes nos chocolates ao leite e, principalmente, nos chocolates com maior concentração de cacau.
O cacau pode trazer benefícios para a saúde?
Estudos científicos mostram que o cacau é rico em flavonoides, compostos antioxidantes associados à melhora da função dos vasos sanguíneos e da circulação. Revisões publicadas em revistas científicas e entidades como a American Heart Association indicam que o consumo moderado de cacau pode contribuir para a saúde cardiovascular quando faz parte de uma alimentação equilibrada.
No entanto, especialistas alertam que esses benefícios estão relacionados ao cacau e não ao excesso de açúcar e gordura presente em muitos chocolates industrializados.
"O benefício está no cacau e não no excesso de açúcar, gordura e calorias que muitos chocolates carregam", reforça Nicolle.
Cinco dicas para escolher melhor
Antes de colocar o produto no carrinho, vale observar alguns pontos:
- confira o percentual de cacau;
- veja se o açúcar aparece como primeiro ingrediente da lista;
- prefira produtos com menos ingredientes;
- desconfie de produtos identificados como "cobertura sabor chocolate";
- lembre-se de que quantidade também importa: uma ou duas porções pequenas costumam ser suficientes para aproveitar o sabor.
Chocolate pode fazer parte de uma alimentação equilibrada
Para a nutricionista, não é preciso excluir o chocolate da rotina.
"O problema geralmente não é o chocolate em si, mas o tipo, a quantidade, a frequência e o contexto da alimentação. O equilíbrio continua sendo o fator mais importante."
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