Seus genes não mudaram. O ambiente, sim — e isso pode aumentar o risco de obesidade

Seus genes não mudaram. O ambiente, sim — e isso pode aumentar o risco de obesidade
Photo by National Cancer Institute / Unsplash

Estudo publicado na PLOS Genetics mostra que a predisposição genética para a obesidade tem impacto maior nas gerações atuais

A genética continua sendo um dos principais fatores associados ao desenvolvimento da obesidade. Mas um novo estudo sugere que o ambiente em que vivemos pode estar ampliando o efeito dos genes relacionados ao ganho de peso.

Pesquisadores do Reino Unido analisaram dados de 19.379 participantes de quatro grandes coortes de nascimento britânicas, compostas por pessoas nascidas em 1946, 1958, 1970 e 2001.

O objetivo era entender se a influência da predisposição genética para um índice de massa corporal (IMC) mais elevado mudou ao longo das gerações.

Os resultados mostraram que pessoas com variantes genéticas associadas à obesidade apresentam um impacto maior sobre o peso corporal nas gerações mais recentes.

Aos 16 anos, por exemplo, um aumento de um desvio-padrão no escore genético para obesidade esteve associado a um IMC 0,46 kg/m² maior entre os participantes nascidos em 1946. Entre os nascidos em 2001, essa diferença chegou a 0,90 kg/m².

Segundo os pesquisadores, essa diferença se torna ainda mais evidente com o avanço da idade e é mais pronunciada entre pessoas que já apresentam IMC mais elevado.

Os achados ajudam a explicar por que a prevalência da obesidade aumentou rapidamente nas últimas décadas, apesar de o patrimônio genético da população permanecer praticamente o mesmo.

Para os autores, a hipótese é que mudanças ambientais tenham potencializado o risco genético.

Embora o estudo não tenha investigado diretamente quais fatores ambientais estão envolvidos, os pesquisadores destacam que a expansão de ambientes obesogênicos — caracterizados por maior disponibilidade de alimentos ultraprocessados, redução da atividade física e mudanças no estilo de vida — pode estar contribuindo para amplificar os efeitos da predisposição genética.

"O aumento das taxas de obesidade nas últimas décadas não pode ser explicado apenas pela genética", afirmam os autores.

De acordo com o estudo, os resultados reforçam que a obesidade é uma condição complexa e multifatorial, resultado da interação entre fatores genéticos e ambientais.

Os pesquisadores também destacam que compreender essa interação pode ajudar no desenvolvimento de estratégias mais eficazes de prevenção e tratamento.

O estudo, intitulado "Genetic risk for high body mass index before and amidst the obesity epidemic: Cross-cohort analysis of four British birth cohort studies", foi publicado em junho de 2026 na revista científica PLOS Genetics.