Quando a acupuntura pode ajudar no climatério?
Especialista explica que a técnica pode aliviar sintomas como ondas de calor, insônia e irritabilidade, especialmente em mulheres que têm contraindicação à terapia hormonal.
Ondas de calor, insônia, irritabilidade, fadiga, cansaço e diminuição da libido. Esses são alguns dos sintomas mais comuns do climatério, fase de transição para a menopausa que pode impactar significativamente a qualidade de vida das mulheres.
Embora a terapia hormonal seja considerada o tratamento mais eficaz para aliviar os sintomas vasomotores da menopausa, ela não é indicada para todas as pacientes. Mulheres com histórico de alguns tipos de câncer, trombose ou outras condições clínicas podem apresentar contraindicações ao uso de hormônios e precisam buscar outras estratégias para controlar os sintomas.
Uma dessas opções é a acupuntura.
Segundo a ginecologista, acupunturiatra e diretora de Comunicação do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura, Mara Mendes, a técnica pode ser utilizada como parte do cuidado durante o climatério, período que engloba a pré-menopausa, a perimenopausa e a menopausa.
"As pacientes no climatério, período que compreende a pré-menopausa, a perimenopausa e a menopausa, podem apresentar diversos sintomas. Considera-se que a menopausa está instalada quando a mulher completa um ano sem menstruar."

A especialista explica que muitas mulheres começam a apresentar sintomas antes mesmo da interrupção definitiva da menstruação.
"No entanto, muitas pacientes começam a apresentar sintomas antes mesmo da menopausa se estabelecer, como ondas de calor (fogachos), insônia, irritabilidade, diminuição da libido, fadiga e cansaço."
Como a acupuntura pode ajudar?
Segundo a médica, a acupuntura não substitui a terapia hormonal, considerada o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores da menopausa. No entanto, ela pode ser utilizada como uma opção complementar, especialmente por mulheres que têm contraindicação ao uso de hormônios ou que preferem abordagens não hormonais.
Diretrizes internacionais reconhecem que a acupuntura pode ajudar algumas pacientes, principalmente no alívio dos fogachos, embora as evidências científicas ainda sejam consideradas limitadas e variem entre os estudos.
"Algumas mulheres não podem fazer terapia hormonal por apresentarem contraindicações, como histórico de câncer ou outras condições clínicas. Nesses casos, a acupuntura pode ser uma alternativa para aliviar os sintomas do climatério."
De acordo com a especialista, a técnica pode contribuir para reduzir alguns dos sintomas mais frequentes.
"Ela pode contribuir para a melhora dos fogachos, da insônia e de outros desconfortos, pois atua estimulando a liberação de neurotransmissores, promovendo maior bem-estar e melhor qualidade de vida."
A acupuntura está disponível no SUS?
A acupuntura integra a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2006 e pode ser oferecida gratuitamente na rede pública, de acordo com a organização dos serviços de saúde de cada município.
Além da acupuntura, o SUS também disponibiliza outras práticas integrativas, como auriculoterapia, meditação, yoga, fitoterapia e outras terapias que podem ser utilizadas de forma complementar ao tratamento convencional.
Especialistas reforçam que o tratamento dos sintomas do climatério deve ser individualizado. A terapia hormonal permanece como a primeira escolha para muitas mulheres, mas, quando há contraindicações ou quando a paciente opta por uma abordagem não hormonal, recursos como a acupuntura podem ser incorporados ao plano terapêutico como opção complementar, sempre com acompanhamento médico.
O que é o climatério?
O climatério é a fase de transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da mulher. Ele engloba a pré-menopausa, a perimenopausa e a pós-menopausa. Já a menopausa é definida retrospectivamente, após 12 meses consecutivos sem menstruação, desde que não exista outra causa que explique essa interrupção.
Nem todas as mulheres apresentam os mesmos sintomas ou com a mesma intensidade, por isso a avaliação médica é fundamental para definir o tratamento mais adequado para cada caso.
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