O que vem depois do Ozempic e do Mounjaro?

O que vem depois do Ozempic e do Mounjaro?
Photo by Haberdoedas / Unsplash

Estudo aponta nova geração de medicamentos para obesidade

Durante os últimos anos, medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro transformaram o tratamento da obesidade e mudaram a forma como a doença passou a ser encarada pela sociedade.

Mas a ciência já está olhando para o próximo passo.

Um dos destaques do Congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA) de 2026 foi o estudo TRIUMPH-1, que avaliou a retatrutida, um medicamento experimental desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly para o tratamento da obesidade.

Os resultados chamaram atenção porque superam os observados nos principais estudos com medicamentos atualmente disponíveis.

Segundo a empresa, participantes que receberam a dose mais alta da medicação perderam, em média, 28,3% do peso corporal após 80 semanas de tratamento. Além disso, 45,3% dos pacientes alcançaram uma perda de pelo menos 30% do peso inicial — um resultado frequentemente comparado aos obtidos com cirurgia bariátrica.

Outro dado que impressionou os pesquisadores foi que 65,3% dos participantes deixaram de se enquadrar nos critérios de obesidade ao final do estudo, atingindo índice de massa corporal (IMC) inferior a 30.

O que torna a retatrutida diferente?

Enquanto a semaglutida e a tirzepatida atuam em um ou dois hormônios relacionados ao controle da fome e do metabolismo, a retatrutida age em três receptores diferentes: GLP-1, GIP e glucagon.

Por isso, o medicamento ficou conhecido entre pesquisadores como um "triplo agonista".

A expectativa é que essa combinação amplie os efeitos sobre o controle do apetite, o gasto energético e o metabolismo da gordura corporal.

Ainda não está disponível

Apesar dos resultados promissores, a retatrutida continua sendo um medicamento experimental.

O estudo TRIUMPH-1 faz parte do programa global de pesquisas da Eli Lilly e os dados ainda serão analisados por órgãos reguladores antes que a medicação possa ser aprovada para uso clínico.

Os pesquisadores também seguem acompanhando questões relacionadas à segurança e aos efeitos adversos, especialmente os sintomas gastrointestinais já observados em outras terapias para obesidade.

Uma nova fase no tratamento da obesidade

Se os resultados forem confirmados nas próximas etapas, a retatrutida poderá representar mais um avanço importante no tratamento da obesidade, uma doença crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

Mais do que uma disputa entre medicamentos, o que os estudos recentes mostram é que a ciência continua ampliando as opções terapêuticas para pacientes que convivem com uma condição complexa, multifatorial e que exige acompanhamento de longo prazo.