Mulheres com obesidade sofrem maior discriminação no trabalho e têm perdas econômicas mais intensas, aponta estudo
Levantamento do Instituto Cordial, apresentado durante o 3º Fórum Brasileiro de Políticas Públicas em Obesidade, mostra que o estigma da obesidade afeta homens e mulheres, mas penaliza principalmente a carreira e a remuneração feminina.
A obesidade não afeta apenas a saúde. Ela também pode comprometer oportunidades de trabalho, renda e desenvolvimento profissional — e esse impacto é ainda maior entre as mulheres.
Essa é uma das conclusões do estudo realizado pelo Instituto Cordial e apresentado nesta quarta-feira (25), durante o 3º Fórum Brasileiro de Políticas Públicas em Obesidade.
Segundo a pesquisa, embora homens e mulheres com obesidade sofram impactos no mercado de trabalho, a penalização econômica é significativamente maior para elas.
Os dados apresentados mostram que mulheres com obesidade recebem salários menores em relação à média das demais mulheres, além de enfrentarem maior discriminação baseada na aparência.
O levantamento também aponta que, embora a participação das mulheres com obesidade na força de trabalho e a taxa de ocupação estejam próximas da média feminina, esses indicadores permanecem inferiores aos observados entre homens com obesidade.
Outro ponto destacado pelos pesquisadores é que a discriminação social vivida por mulheres com obesidade é diferente daquela enfrentada pelos homens, refletindo o peso dos padrões estéticos e do estigma relacionado ao corpo feminino.
O peso do preconceito
O estudo mostra que o estigma da obesidade vai além da saúde e produz impactos concretos na vida profissional.
A discriminação pode influenciar processos de contratação, oportunidades de crescimento, remuneração e permanência no mercado de trabalho, contribuindo para ampliar desigualdades já existentes entre homens e mulheres.
Para os pesquisadores, combater a obesidade também significa enfrentar o preconceito que ainda cerca a doença e limita oportunidades de milhões de brasileiros.
Um desafio para as políticas públicas
O levantamento integra uma análise mais ampla dos impactos da obesidade no Brasil e reforça que a doença produz consequências que vão além da saúde.
Segundo o Instituto Cordial, enfrentar a obesidade exige mais do que ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Também passa pelo combate ao estigma, à discriminação e às barreiras sociais que dificultam a inclusão de pessoas com obesidade, especialmente das mulheres, no mercado de trabalho.
Os resultados foram apresentados durante o 3º Fórum Brasileiro de Políticas Públicas em Obesidade, que reuniu pesquisadores, profissionais de saúde, gestores públicos e representantes da sociedade civil para discutir estratégias de enfrentamento da doença no país.
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