Jovens buscam dicas de skincare nas redes sociais antes de procurar um dermatologista

Jovens buscam dicas de skincare nas redes sociais antes de procurar um dermatologista
Photo by Cheyenne Doig / Unsplash

Pesquisa da Sociedade Brasileira de Dermatologia mostra que as redes sociais já são a principal fonte de informação sobre cuidados com a pele para muitos brasileiros. Estudo publicado na revista científica PLOS Digital Health alerta que, embora a maior parte dos vídeos sobre protetor solar seja correta, os conteúdos com desinformação costumam gerar mais engajamento.

Acne, manchas, protetor solar, rotina de skincare e procedimentos estéticos. Cada vez mais brasileiros recorrem às redes sociais para tirar dúvidas sobre saúde da pele, muitas vezes antes mesmo de procurar um dermatologista.

Uma pesquisa nacional realizada pelo Datafolha para a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) revelou que 54% dos brasileiros buscam informações sobre cuidados com a pele, produtos, procedimentos e profissionais. Entre essas pessoas, 19% recorrem às redes sociais e 9% ao YouTube, enquanto apenas 14% procuram orientação diretamente com um médico.

O cenário chama ainda mais atenção entre os jovens. Segundo o levantamento, 70% das pessoas de 16 a 24 anos que têm acne — principal motivo de consulta dermatológica no Brasil, de acordo com o Inquérito Dermatológico da SBD — nunca procuraram um dermatologista.

Quem está ensinando sobre pele nas redes?

O interesse crescente por skincare fez explodir a quantidade de conteúdos sobre o tema nas plataformas digitais. No entanto, apenas uma pequena parcela desse conteúdo é produzida por dermatologistas, o que reforça a importância de verificar quem está por trás das recomendações antes de testar produtos ou iniciar tratamentos.

A maioria dos vídeos está correta, mas a desinformação viraliza

Um estudo publicado na revista científica PLOS Digital Health ajuda a entender por que esse cuidado é importante. Os pesquisadores analisaram 971 dos vídeos mais populares sobre protetor solar publicados no TikTok e observaram que 86,8% deles continham mensagens favoráveis ao uso do filtro solar e alinhadas às evidências científicas.

Apesar disso, os vídeos com informações incorretas ou enganosas receberam, proporcionalmente, mais curtidas, comentários e compartilhamentos do que aqueles baseados em evidências.

Segundo os autores, esse comportamento faz com que a desinformação tenha um alcance desproporcional, mesmo representando uma pequena parcela do conteúdo disponível na plataforma.

Redes sociais podem informar, mas não substituem a consulta

As redes sociais podem ser uma ferramenta importante para ampliar o acesso à informação e despertar o interesse pelos cuidados com a pele. No entanto, especialistas alertam que conteúdos publicados na internet não substituem a avaliação médica.

Antes de seguir recomendações de influenciadores, iniciar tratamentos ou utilizar medicamentos e produtos para a pele, é importante verificar se as orientações são baseadas em evidências científicas e, sempre que houver sintomas persistentes, acne moderada ou grave, manchas suspeitas ou outras alterações cutâneas, procurar um dermatologista.