Estudo do Lancet levanta alerta: avanço no controle da pressão e do colesterol ainda não chegou aos jovens com obesidade
Pesquisa mostra que adultos acima dos 40 anos passaram a controlar melhor fatores de risco cardiovasculares nas últimas décadas. Entre os mais jovens, esse avanço ainda não foi observado na mesma intensidade.
Nas últimas três décadas, pessoas com obesidade acima dos 40 anos passaram a controlar melhor a pressão arterial e o colesterol. Mas esse avanço ainda não foi observado da mesma forma entre adultos mais jovens.
É o que mostra um estudo publicado na revista científica The Lancet, que analisou dados de quase 1 milhão de pessoas em sete países de alta renda entre 1990 e 2024.
Os pesquisadores observaram que adultos com obesidade entre 40 e 79 anos passaram a apresentar níveis de pressão arterial e colesterol muito mais próximos aos de pessoas com índice de massa corporal (IMC) considerado normal do que há três décadas.
Segundo os autores, a principal explicação para essa mudança é o aumento do diagnóstico e do tratamento da hipertensão e do colesterol elevado nessa faixa etária, especialmente com o uso de medicamentos como anti-hipertensivos e estatinas.
O que mudou para quem tem mais de 40 anos?
O estudo mostra que, ao longo dos últimos 30 anos, a diferença nos níveis de pressão arterial e colesterol entre pessoas com obesidade e pessoas com IMC considerado normal diminuiu significativamente em adultos de meia-idade e idosos.
Para os pesquisadores, esse resultado reflete um maior acesso ao tratamento dos fatores de risco cardiovasculares, reduzindo parte do risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC) nessa população.
No entanto, os autores ressaltam que esse benefício está relacionado ao melhor controle clínico da hipertensão e do colesterol, e não a uma mudança no impacto da obesidade sobre o organismo.
Entre os mais jovens, o cenário é diferente
O mesmo avanço não foi observado entre adultos com menos de 40 anos.
Nessa faixa etária, a diferença nos níveis de pressão arterial e colesterol entre pessoas com obesidade e aquelas com IMC considerado normal permaneceu praticamente estável ao longo das últimas décadas.
Segundo os pesquisadores, uma das explicações mais prováveis é que adultos jovens ainda recebem com menor frequência diagnóstico e tratamento para hipertensão e colesterol elevado quando comparados aos adultos mais velhos.
Ou seja, o estudo não sugere que a obesidade se comporte de maneira diferente antes dos 40 anos. O que muda é que a intervenção clínica para controlar fatores de risco cardiovasculares costuma ocorrer com mais frequência em pessoas de meia-idade e idosas.
O que isso significa na prática?
Os autores não defendem que todos os adultos jovens com obesidade iniciem tratamento medicamentoso precocemente.
No entanto, os resultados levantam uma discussão importante sobre a necessidade de identificar e acompanhar fatores de risco cardiovasculares nessa população antes dos 40 anos.
Para os pesquisadores, ampliar o rastreamento da pressão arterial, do colesterol e de outros marcadores metabólicos pode permitir intervenções mais precoces e reduzir complicações cardiovasculares ao longo da vida.
Obesidade continua sendo uma doença de risco
O estudo também faz um alerta importante: a melhora observada no controle da pressão arterial e do colesterol não significa que a obesidade tenha deixado de representar um risco para a saúde.
A doença continua associada ao aumento do risco de diabetes tipo 2, doença hepática gordurosa, apneia do sono, osteoartrite, insuficiência cardíaca e diversos tipos de câncer.
Segundo os autores, controlar fatores de risco cardiovasculares reduz parte das complicações relacionadas à obesidade, mas não elimina os demais impactos da doença.
Um debate que começa agora
Além de mostrar os avanços no tratamento da hipertensão e do colesterol em adultos com obesidade acima dos 40 anos, o estudo abre uma discussão importante para os próximos anos: adultos jovens com obesidade estão tendo acesso precoce ao rastreamento e ao tratamento dos fatores de risco cardiovasculares?
Embora o The Lancet não responda definitivamente essa pergunta, os resultados sugerem que ampliar o acompanhamento clínico dessa população pode ser um caminho importante para fortalecer a prevenção cardiovascular e reduzir complicações futuras.
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