Autocoleta para HPV: exame feito pela própria mulher pode ampliar a prevenção do câncer do colo do útero
Recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como estratégia para ampliar o rastreamento, a autocoleta pode ajudar mulheres que deixam de fazer o exame preventivo por vergonha, falta de tempo ou dificuldade de acesso aos serviços de saúde.
O câncer do colo do útero está entre os poucos tipos de câncer que podem ser prevenidos. Ainda assim, milhares de brasileiras recebem esse diagnóstico todos os anos. O problema, muitas vezes, não é a falta de exames, mas a dificuldade de garantir que mais mulheres façam o rastreamento regularmente.
Vergonha durante o exame ginecológico, dificuldade para conseguir consulta, falta de tempo e até experiências negativas anteriores no atendimento à saúde estão entre os principais motivos que levam muitas mulheres a adiar o preventivo.
É justamente para reduzir essas barreiras que a autocoleta para detecção do HPV vem ganhando espaço em diversos países. A estratégia permite que a própria mulher colete uma amostra vaginal para a realização de um teste molecular capaz de identificar os tipos de HPV de alto risco associados ao desenvolvimento do câncer do colo do útero.
"A autocoleta oferece mais conforto, privacidade e praticidade para mulheres que, por diferentes motivos, deixam de realizar o exame preventivo tradicional", explica a médica patologista Mônica Porfírio, especialista em citopatologia ginecológica.
O que é a autocoleta para HPV?
A autocoleta é uma forma de realizar o teste para detecção do HPV sem que a coleta da amostra precise ser feita durante o exame ginecológico.
A própria mulher utiliza um dispositivo específico para coletar uma amostra da região vaginal. Em seguida, o material é enviado ao laboratório, onde passa por um teste molecular capaz de identificar os tipos de HPV de alto risco relacionados ao câncer do colo do útero.
Segundo a especialista, o procedimento é simples, rápido e pode representar uma alternativa para mulheres que não realizam o rastreamento de forma periódica.
A autocoleta é confiável?
As evidências científicas mostram que sim, desde que seja utilizada com testes moleculares validados para esse tipo de amostra.
Uma recomendação publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que a autocoleta seja oferecida como uma opção nos programas de rastreamento do câncer do colo do útero que utilizam testes de DNA do HPV. A entidade destaca que essa estratégia pode ampliar a cobertura do rastreamento, especialmente entre mulheres que enfrentam barreiras para realizar o exame ginecológico convencional.
Estudos também mostram que, quando associada a testes moleculares validados — especialmente os baseados em PCR —, a autocoleta pode apresentar desempenho semelhante ao da coleta realizada por profissionais de saúde para identificar os tipos de HPV de alto risco.
"É uma estratégia especialmente importante para alcançar mulheres que não realizam o rastreamento de forma periódica", afirma Mônica Porfírio.
A autocoleta substitui o exame preventivo?
Não completamente.
A autocoleta identifica a presença do HPV, principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer do colo do útero.
Caso o teste identifique um tipo de HPV de alto risco, a mulher deverá procurar um ginecologista para avaliação. A necessidade de exames complementares e o acompanhamento dependerão do resultado do teste e da avaliação clínica.
"O rastreamento permite identificar alterações antes mesmo do aparecimento dos sintomas, aumentando significativamente as chances de tratamento e cura", destaca a especialista.
HPV positivo significa câncer?
Não.
O HPV é uma infecção sexualmente transmissível extremamente comum. Na maioria das vezes, o próprio sistema imunológico elimina o vírus espontaneamente.
O risco está na persistência da infecção por alguns tipos de HPV de alto risco durante vários anos. Nesses casos, podem surgir alterações nas células do colo do útero que, se não forem identificadas e tratadas, podem evoluir para um câncer.
Por isso, detectar o vírus precocemente permite acompanhar essas pacientes antes que a doença se desenvolva.
Quem tomou a vacina contra o HPV também precisa fazer o rastreamento?
Sim.
A vacina protege contra os principais tipos de HPV associados ao câncer do colo do útero, mas não contra todos eles. Por isso, a vacinação não substitui o rastreamento, que continua sendo recomendado conforme a idade e as diretrizes do Ministério da Saúde.
Quando começar o rastreamento do câncer do colo do útero?
Segundo as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, o acompanhamento deve começar aos 25 anos para pessoas com colo do útero que já iniciaram a vida sexual.
O rastreamento pode ser interrompido aos 64 anos, desde que os exames anteriores tenham apresentado resultados negativos, conforme avaliação médica.
Mitos e verdades sobre a autocoleta para HPV
Mito: A autocoleta substitui a consulta com o ginecologista.
Verdade: A autocoleta é uma estratégia de rastreamento. Se o resultado indicar HPV de alto risco, a mulher deverá procurar um ginecologista para definir a necessidade de exames complementares.
Mito: Ter HPV significa ter câncer.
Verdade: Não. A maioria das infecções desaparece espontaneamente. Apenas uma pequena parcela persiste e pode provocar alterações que, ao longo dos anos, podem evoluir para câncer.
Mito: Quem tomou a vacina não precisa mais fazer exames.
Verdade: A vacinação reduz o risco, mas não protege contra todos os tipos de HPV relacionados ao câncer do colo do útero. Por isso, o rastreamento continua sendo recomendado.
Mito: A autocoleta é menos confiável do que a coleta feita pelo profissional de saúde.
Verdade: Quando utilizada com testes moleculares validados, especialmente os baseados em PCR, estudos mostram que a autocoleta pode apresentar desempenho semelhante ao da coleta realizada por profissionais para detectar os tipos de HPV de alto risco.
O mais importante é não deixar a prevenção para depois
Para Mônica Porfírio, oferecer diferentes formas de rastreamento pode aumentar a participação das mulheres nos programas de prevenção.
"O câncer do colo do útero pode ser prevenido e, quando identificado precocemente, as chances de tratamento e cura são muito maiores. O mais importante é que cada mulher converse com seu médico e encontre a estratégia mais adequada para manter a prevenção em dia."
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