Adesivo promete ajudar pessoas com intolerância à lactose sem o uso de comprimidos
Produto lançado nos Estados Unidos utiliza tecnologia transdérmica para liberar lactase pela pele, mas especialistas afirmam que ainda são necessárias mais evidências científicas sobre sua eficácia.
Um novo produto lançado nos Estados Unidos está chamando a atenção de pessoas com intolerância à lactose. Chamado Dear Dairy, o adesivo promete liberar lactase — enzima responsável pela digestão da lactose — por meio da pele ao longo do dia.
Segundo a fabricante, a proposta é oferecer uma alternativa aos suplementos orais utilizados antes das refeições, permitindo o consumo de alimentos lácteos com mais praticidade. O adesivo utiliza uma tecnologia transdérmica patenteada e, de acordo com a empresa, pode atuar por até 12 horas após a aplicação.
Segundo a fabricante, mais de 85% dos participantes de testes conduzidos pela própria empresa relataram pouco ou nenhum desconforto digestivo após o consumo de laticínios. A Barrière também afirma que a tecnologia utilizada permitiria uma absorção mais eficiente da lactase em comparação aos suplementos orais.
Apesar da proposta inovadora, especialistas alertam que ainda são necessárias mais evidências científicas independentes para comprovar a eficácia da tecnologia. Isso porque os suplementos tradicionais de lactase atuam diretamente no sistema digestivo no momento em que a lactose é consumida, enquanto o mecanismo de absorção e ação da enzima por via transdérmica ainda demanda mais estudos.
Até o momento, o produto não é comercializado no Brasil. Além disso, o site da empresa não apresenta de forma destacada estudos clínicos de grande porte publicados em revistas científicas que permitam avaliar de maneira independente os resultados divulgados pela fabricante.
A intolerância à lactose é uma condição comum em todo o mundo. Dados do Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos (NIDDK) indicam que cerca de 68% da população mundial apresenta algum grau de má absorção da lactose. No Brasil, estudos apontam que mais da metade da população adulta pode ter dificuldade para digerir esse açúcar presente no leite e em seus derivados.
Quando uma pessoa com intolerância à lactose consome alimentos contendo lactose sem conseguir digeri-la adequadamente, o açúcar chega ao intestino grosso e é fermentado pelas bactérias da microbiota intestinal. Como consequência, podem surgir sintomas como gases, inchaço abdominal, cólicas, sensação de estufamento, náuseas e diarreia.
A intolerância à lactose não é considerada uma condição grave, mas pode impactar significativamente a qualidade de vida de quem convive com os sintomas. Enquanto novas tecnologias surgem para tentar facilitar essa rotina, especialistas reforçam a importância de buscar orientação médica antes de substituir tratamentos já estabelecidos.
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